Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Banalidades 2

Também um monte de banalidades é o Manifesto para uma Esquerda Livre, que afinal não é só "para uma esquerda livre", mas também para um "Portugal mais igual" e para uma "Europa mais fraterna". Em geral ideias muito interessantes, só é pena que o Manifesto não explique bem como se concretizam. Se é através de "um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social", espero bem que expliquem como se criam este horizonte, este caminho e este pacto.

Banalidades

Salvo uma ou outra ideia geral, salvo algumas posições já bem conhecidas, as declarações públicas no fim do encontro do Sr. Hollande com a Sr.ª Merkel foram um monte de banalidades. A viagem de Hollande só pode ter tido algum interesse como um sinal de que a França quer continuar a ter alguma influência na política europeia. Quer. Não significa que consiga. Será que ainda se poderá continuar a falar no eixo franco-alemão?

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Mais ofensas!

Afinal não foi só o Primeiro Ministro a ofender os desempregados (no dizer de Jerónimo de Sousa) pretendendo que tomem a situação como uma oportunidade para mudar de vida. Hoje, na Expo Franchise, várias pessoas exprimiram a mesma ideia. A própria organização do evento disse que o evento atraiu este ano muitos desempregados «em busca do próprio emprego e de uma "nova oportunidade profissional"».
 Não ouvi ainda o coro de protestos por mais esta ofensa e falta de sensibilidade, idêntico ao que se fez ouvir em relação às declarações do PM. Mas decerto que os organizadores da Expo Franchise vão ouvir das boas, não só de Jerónimo, mas também de Seguro, de Louçã e mesmo de Marcelo Rebelo de Sousa, além de muitos outros comentadores e cidadãos ofendidos.

Sábado, 12 de Maio de 2012

Mais uma polémica sem interesse

Não se passa um dia sem que uma frase do PM ou de outro ministro não seja aproveitada para um grande alarido da esquerda. Agora Passos Coelho foi acusado de insensibilidade, de ofensa aos portugueses, de não saber o que se passa com o povo e de outras coisas horríveis por ter dito que o desemprego não tem de ser visto como um estigma, mas pode ser considerado uma oportunidade. Nesta polémica não interessa tanto saber se o PM tem razão absoluta, um pouco de razão ou nenhuma razão nesta apreciação do desemprego. O que me choca é que tenha sido este o tema absoluto das notícias do dia, dos comentários dos políticos e das conversas. Pode ter sido uma frase genial ou talvez uma declaração infeliz. Em qualquer caso só mereceria uma opinião breve e sucinta e não a enorme troca de argumentos pró e contra, como se não houvesse mais nada a tratar nos meios de comunicação. Tenha o PM razão ou não, seria mais curial e até mais sensato discutir as opções a as acções do Governo, em vez de perder tempo a falar à exaustão de frases avulsas.

Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

São suicidas ou quê?

Segundo notícia de há minutos, os gregos não conseguem formar governo, dada a insistência do pequeno partido da esquerda democrática, o DIMAR, em só participar num governo com o PASOK e a Nova Democracia se o SYRIZA entrar também. Este último negou-se a participar.

O Presidente da República, Papoulias, pode ainda tentar formar um governo de unidade, mas com posições tão estremadas dos partidos, tal não parece possível.

A realização de novas eleições em Junho pode ainda dificultar as coisas, se as sondagens derem certo e a esquerda radical passar para o 1.º lugar. Mesmo que assim já consiga formar governo, será para acabar com as medidas de austeridade, arrastando o país para uma situação de insolvência.

Serão suicidas ou quê?

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Crescimento sim; austeridade não!

N'O Insurgente há um postal que merece ser lido integralmente. Só transcrevo a frase que mais me agradou, de modo que quem esteja interessado vá ler no original.

«Hollande ecoa o discurso muito em voga de que é preciso deixar a “aposta” na “austeridade” e “virarmo-nos” para o “crescimento”. Como se houvesse uma opção. Como se a “austeridade” fosse uma escolha. Como se bastasse querer “crescer” para o conseguir. Mas ao contrário do que muitas pessoas parecem pensar, não há ninguém que defenda “políticas de empobrecimento”. A “austeridade” que de facto nos empobrece não é uma escolha, algo a que se possa “pôr fim” por decreto e voluntarismo.»

100% de acordo.

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

O acordo da troika pode ir ao ar

Segundo Mário Soares, o acordo da troika "pode ir ao ar". E porquê? Porque A obrigação de cumprir o programa da troika que o PS assinou "foi assumida há um ano. Mas chegou ao fim. A austeridade tem limites."

Nem mais. Claro que Louçã já elogiou a posição do ex-PM. Aliás esta posição aproxima-se da que o BE tem defendido e até estranhamente da do BE da Grécia ( SYRIZA). Mas Mário Soares, tal como Alexis Tsipras, presidente da coligação de esquerda radical SYRIZA, não diz como, depois do acordo "ir ao ar", poderemos pagar aos funcionários públicos, as diferentes despesas do Estado e as dívidas que forem vencendo. Felizmente, em Portugal, como o PS não é governo, não há perigo de isto ocorrer, mesmo que o PS seguisse a ideia de Soares, o que já declarou não tencionar fazer. Espero que no caso grego também não haja este perigo, já que são remotas as hipóteses de a SYRIZA formar governo. Aí o perigo é o de não haver governo nenhum.

Não compreendo o que deu ao Dr. Mário Soares! Nem sempre tenho estado de acordo com ele, mas não me lembro de dizer asneiras deste calibre. Então, um acordo, lá por ter um ano, já não vale? Pode "ir ao ar"? "Chegou ao fim"? Soares ultrapassa os que defendem a renegociação do acordo. Para ele não há que renegociar, há que denunciar, mandar "ao ar".